Marcha das Mulheradas

Com proponência da Cia. Livre e financiado pela Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo, o projeto teve início em março de 2024 e terminou com a apresentação de cinco exercícios cênicos na Casa Livre (Barra Funda, São Paulo) em abril de 2025, além da publicação da presente edição em versão impressa (editada pela N-1) e digital (disponibilizada no site da Cia. Livre: https://www.cialivre.art.br/). Um diário de bordo do processo, bem como registros em vídeo das atividades do projeto, também podem ser acessados no site da Cia. Livre.

“A Marcha das Mulheradas” reuniu pessoas cis, trans, não binárias, brancas, não brancas, pretas e indígenas em retomada, em sua grande maioria autoidentificadas como mulheres. Entre elas, integrantes de dois coletivos convidados: o Ilú Obá de Min – Educação, Cultura e Arte Negra e o Coletivo Estopô Balaio. O ponto de partida era pensar insurgências a partir da leitura e re-leitura da “Narrativa das Yamuricumã”, uma história alto xinguana transmitida inicialmente ao coletivo pela xamã Mapulú Kamayurá.

Depois de uma primeira fase de estudo e pesquisa interna, seguida de uma série de estudos públicos, aquelas que urdiram este projeto em coletivo preferiram – ins-piradas pelas Yamuricumã, Icamiabas, Yabás, Grandes Mães e Avós do mundo – mergulhar nas histórias pessoais e trans-pessoais de suas ancestralidades diversas, para inventar outras histórias, contemporâneas, sobre mulheridades em marcha, ou não.
As travessias conjuntas geraram, então, os textos inéditos:

“Exercício de Imaginação (Radical)” de Claudia Schapira, “O Balanço da Noite – Performances para Mulheres Negras Radicais” de Olaegbé Jéssica Nascimento, “Partida: Um Jogo sobre os Campos” do Coletivo Estopô Balaio, “Raspar a Terra” de Bárbara Esmenia e “Dupla Moradia: Refugyadus (Remix Solar)” de Carmim Oxorô (este último, por decisão da autora, não foi publicado). Estes foram os textos apresentados, em abril de 2025 na Casa Livre, em exercícios cênicos que reuniram as integrantes do projeto, além de outras artistas convidadas. Um outro texto, “Travestéia”, escrito por Sofia Augusto, que acompanhou o processo a partir das Oficinas de Dramaturgia, também foi incluído na publicação.